Os museus nacionais, entendo eu, devem abrir-se e abrir as suas portas aos novos criadores e à arte contemporânea, não se findando exclusivamente ao seu acervo. E devem-no, sobretudo, quando essa circunstância permite ampliar e enriquecer a visão, às vezes excessivamente museológica, que temos das suas coleções.

É com base nesta formulação que o Museu Nacional do Traje acolhe a exposição/instalação Tecer o Espaço, da artista Fátima Frade Reis, construída a partir de uma interpretação muito pessoal do ofício e dos processos de utilização do espaço e da cor no tecido e no papel.

De facto, a instalação desta jovem artista, propositadamente fixada nas salas das Tecnologias Têxteis deste Museu, sugestiona-nos um diálogo e uma relação técnica e estética com a produção daqueles materiais/suportes (e, no limite, do traje) que, no fundo, constituem a génese da sua origem material e etimológica: um conjunto/trama de fios entrelaçados.

Aceitemos, pois, o desafio de Fátima Frade Reis que nos permite um novo (e belíssimo) olhar, através da cor e do papel e, também, uma espécie de novo alento ou reanimação simbólica de um conjunto de peças (máquinas para produção têxtil) há muito retiradas, porque musealizadas, da sua função inicial.

José Carlos Alvarez
Diretor do Museu Nacional do Traje